Onde acaba a corrida
A linha de meta do atletismo não é onde a maioria das pessoas pensa. Não vence quem passa primeiro com a cabeça, nem com o pé, nem com a mão esticada: vence quem passa primeiro com o tronco. O braço lançado à frente pode ganhar uma fotografia, mas não ganha a prova, e é por isso que os grandes velocistas inclinam o peito nos últimos metros em vez de esticarem os braços.
A leitura é feita por uma câmara alinhada com o plano da meta, que regista imagens a uma cadência altíssima. O resultado é uma tira contínua de tempo, não uma fotografia de um instante — motivo pelo qual as imagens de photo finish parecem sempre distorcidas.
Depois há o vento. Nas provas de velocidade até aos 200 metros e nos saltos horizontais, um vento favorável superior a dois metros por segundo invalida o registo para efeitos de recorde. O tempo continua a valer para a classificação da prova; deixa apenas de servir para a tabela histórica. É a forma que a modalidade encontrou de comparar atletas de continentes e décadas diferentes.
Uma falsa partida chega. Não há aviso, não há segunda oportunidade — o atleta é excluído da prova.
A regra é dura e foi criada para acabar com as partidas repetidas que arrastavam finais inteiras. Junta-se-lhe outro limite: uma reacção medida abaixo de cem milésimos de segundo é considerada falsa partida, porque se assume que nenhum ser humano reage ao som mais depressa do que isso.