A lei que mede centímetros
A regra 11 do regulamento diz uma coisa simples: um jogador está em posição de fora-de-jogo se qualquer parte da cabeça, do tronco ou dos pés estiver mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e do que o penúltimo adversário. Os braços e as mãos não contam, porque não se pode marcar com eles. Estar nessa posição também não é, por si só, infracção: é preciso interferir no jogo, interferir num adversário ou tirar vantagem da posição.
Durante décadas isto foi julgado por um assistente a correr pela linha lateral, a tentar ver dois pontos ao mesmo tempo — o momento do passe e a posição do atacante. É humanamente impossível fazê-lo sem erro. A tecnologia semiautomática de fora-de-jogo resolveu o problema da medição e criou outro: passámos a discutir se três centímetros deviam anular um golo.
O VAR não veio para rever tudo. Só intervém em quatro situações — golos, grandes penalidades, cartões vermelhos directos e identificação trocada de jogadores — e só quando há erro claro e óbvio. Tudo o resto continua a ser do árbitro que está no relvado, com o ruído do estádio em cima e um segundo para decidir.
A defesa alta não é coragem: é um risco calculado em que a linha do fora-de-jogo vale mais do que trinta metros de terreno.
É por isso que a linha defensiva subiu tanto nas duas últimas décadas. Uma equipa que joga com a última linha no meio-campo encurta o espaço onde o adversário pode construir e empurra o jogo para uma faixa de trinta metros. Em troca, aceita que qualquer passe às costas seja um contra-ataque limpo. Os três metros de que falamos são exactamente esse risco.