Como se pontua um assalto
O sistema chama-se «dez pontos obrigatórios» e é mais simples do que a discussão que gera. Em cada assalto, quem venceu recebe dez pontos e o adversário nove ou menos. Uma queda normalmente transforma o assalto num 10-8. Dois assaltos disputados podem, no fim, valer menos do que um único assalto dominado — e é aí que nascem quase todas as decisões contestadas.
No boxe, um combate de campeonato tem doze assaltos de três minutos e três juízes a pontuar de forma independente. Nas artes marciais mistas, os combates têm três andamentos de cinco minutos, ou cinco quando está em jogo um título ou é o combate principal da noite. A aritmética é a mesma; os critérios não.
As regras unificadas do MMA mandam olhar primeiro para a eficácia — golpes e luta que produzem dano ou progressão real. Só depois entram a agressividade e o controlo do espaço, e apenas para desempatar. Isto explica porque é que um lutador que passa o andamento a pressionar sem acertar pode perder para quem recuou e acertou menos vezes, mas melhor.
Um combate pode acabar de quatro maneiras: nocaute, paragem do árbitro ou do canto, submissão ou desqualificação. Tudo o resto vai a votos.
A diferença entre um desporto e um espectáculo está exactamente nessa lista. Enquanto houver critérios escritos e três pessoas a aplicá-los em separado, há discussão possível — e uma decisão que se pode contestar com argumentos, e não só com indignação.