Análise
O segundo serviço é o verdadeiro marcador
O primeiro serviço decide pontos; o segundo decide encontros. Quem ganha mais de metade dos pontos com o segundo serviço quase nunca perde — e é aí que a pressão de um tie-break se instala primeiro.
Ténis · contagem, pisos e calendário
Edição de 2026 · Redação em Portugal
Início / Ténis · Contagem, pisos e calendário
Nenhum outro desporto de topo deixa ganhar menos pontos do que o adversário e ainda assim vencer o encontro. O ténis não conta pontos: conta os momentos em que eles aconteceram.
A carregar as manchetes…
01 — Leitura
Um encontro de ténis não é uma corrida ao maior número de pontos. É uma sequência de compartimentos fechados: quatro pontos fazem um jogo, seis jogos com dois de diferença fazem um set, e dois ou três sets fazem o encontro. Quando um compartimento fecha, o que lá ficou dentro deixa de contar. Perder um set por 6-0 custa exactamente o mesmo que perdê-lo por 7-5.
Daí a assimetria que faz a modalidade. Um jogador pode ganhar dezenas de pontos a mais ao longo de três horas e perder o encontro, se os pontos do adversário caíram nos momentos certos — nos jogos de serviço alheios, nos tie-breaks, nas bolas de break. É por isso que a estatística mais reveladora não é o total de pontos ganhos, mas a percentagem de pontos ganhos com o segundo serviço.
Quando um set chega a 6-6, entra o tie-break: joga-se a sete pontos, com dois de diferença. Nos quatro torneios do Grand Slam, o set decisivo resolve-se num tie-break longo, a dez pontos, também com dois de diferença — uma uniformização recente, depois de décadas em que cada torneio decidia à sua maneira.
O piso não muda as regras. Muda o tempo que a bola dá a quem a espera — e é isso que separa um campeão de terra batida de um campeão de relva.
A terra batida trava a bola e levanta-a: premeia quem defende, corre e constrói o ponto. A relva faz o contrário — a bola desliza, fica baixa e recompensa quem serve e ataca. O piso duro fica entre os dois e é, por isso, onde se disputam mais torneios do calendário.
02 — Calendário
O Grand Slam não é um circuito: são quatro torneios separados, com pisos e velocidades diferentes, que quase nunca premeiam o mesmo tipo de jogador.
| Torneio | Cidade | Altura do ano | Piso |
|---|---|---|---|
| Australian Open | Melbourne | Janeiro | Piso duro |
| Roland Garros | Paris | Maio e junho | Terra batida |
| Wimbledon | Londres | Junho e julho | Relva |
| US Open | Nova Iorque | Agosto e setembro | Piso duro |
03 — Lente
Encontros em curso e quadros actualizados estão no directo. Aqui ficam os textos que resistem à semana seguinte.
Análise
O primeiro serviço decide pontos; o segundo decide encontros. Quem ganha mais de metade dos pontos com o segundo serviço quase nunca perde — e é aí que a pressão de um tie-break se instala primeiro.
Público
É o único desporto de massas que impõe silêncio durante a jogada. Isso transforma cada erro num acontecimento audível.
Recintos
Fechar o tecto muda a humidade e a velocidade da bola. O mesmo court pode ser rápido às três da tarde e lento às nove da noite.
Material
Grafite, tensão de corda e diâmetro do cabo explicam mais sobre o ténis moderno do que qualquer mudança de regulamento.
04 — Léxico
Termos que aparecem em todas as transmissões e quase nunca são traduzidos.