A estatística que explica quase tudo
Dois jogos podem acabar 118-110 e 74-70 sem que isso diga fosse o que fosse sobre a qualidade das equipas. Diz apenas que um teve mais posses do que o outro. Por isso a leitura séria do basquetebol começa por dividir os pontos pelo número de posses: é a única forma de comparar uma equipa que corre com uma equipa que segura a bola até ao último segundo.
O relógio de posse — vinte e quatro segundos, reposto em catorze depois de um ressalto ofensivo — é o que torna a conta possível. Ele impõe um número mínimo de decisões por jogo e impede que uma equipa em vantagem simplesmente guarde a bola. Foi introduzido para salvar o espectáculo e acabou por criar a gramática táctica de toda a modalidade.
A linha dos três pontos fez o resto. Vale metade a mais do que um lançamento de dois pontos e está, na FIBA, a 6,75 metros do cesto — 6,60 nos cantos, onde a linha lateral obriga a encurtar. Na NBA está mais longe: 7,24 metros, com 6,71 nos cantos. Essa diferença de meio metro muda o espaçamento, a defesa e a própria escolha de quem joga a poste.
Não há equipas rápidas e equipas lentas. Há equipas que aceitam mais decisões por jogo e equipas que preferem menos.
É por isso que o número de posses é a primeira coisa a olhar num boletim de jogo, antes dos pontos, dos ressaltos ou das assistências. Tudo o resto é uma consequência do ritmo que as duas equipas negociaram entre si durante quarenta ou quarenta e oito minutos.