Ganhar tempo parado nas boxes
Uma paragem nas boxes custa entre vinte e vinte e cinco segundos, contando a entrada, a troca e a saída. Nenhum piloto ganha isso na pista sem ajuda. Por isso a estratégia da Fórmula 1 não é escolher quando parar: é escolher em que volta o adversário fica exposto durante essas duas voltas em que os pneus novos ainda não estão à temperatura ideal.
O undercut é a manobra mais comum: parar uma volta antes do rival e usar pneus frescos para ganhar tempo enquanto ele ainda anda com borracha gasta. O overcut faz o oposto — prolongar o stint quando a pista está a ganhar aderência ou quando há trânsito à saída das boxes. Ambos dependem de uma coisa que não se controla: onde é que os carros mais lentos vão estar.
Depois há o factor que anula qualquer plano. Com o carro de segurança em pista, a corrida fica neutralizada e as diferenças comprimem-se; nesse momento, uma paragem custa metade do tempo habitual. Uma equipa que já parou perde tudo o que ganhou, e uma equipa que ainda não parou recebe uma prenda. É por isso que os muros das boxes calculam permanentemente duas corridas em paralelo: a que está a acontecer e a que acontece se o carro de segurança sair.
Em corrida seca é obrigatório usar dois compostos diferentes. É essa regra, e não a velocidade, que garante que alguém tem de parar.
Sem essa obrigação, muitas corridas seriam uma única passagem sem paragens, e o resultado estaria decidido na qualificação. O regulamento desportivo cria artificialmente o momento em que as posições podem mudar — e é aí que a Fórmula 1 encontra quase todos os seus ultrapassamentos.